7 de outubro de 2012, dia das eleições municipais. Madrugada. Insônia. Desconforto estomacal violento. Dor. 07h00min. Minha mãe: Melhorou? Eu: Não. Talvez seja câncer. Minha mãe: Deus me livre! Se continuar assim terei que te levar para o hospital. O seu Tião morreu, coitado. No dia da eleição. 99 anos. Petista roxo. O sonho dele era completar 100 e ver o PT vencer. Ele disse que dá Rosangela. Eu: Impossível. O Celinho está disparado nas pesquisas. Minha mãe: Eleição é bunda de bebê. Você vai voltar dessa vez? Eu: Sim, faço questão de exercer o meu direito. Minha mãe: Em quem você vota? Eu: “Eu tô com Celinho.”. Mamãe: Eu também. Seu pai é PT, aquele traidor.
Segundo o psiquiatra Joel Birman a criança contemporânea perdeu o posto de “Vossa majestade” do tempo de Freud e tornou-se objeto de interesse sexual de adultos abjetos. Por isso a expansão da pedofilia. Não podemos aceitar isso. E pensar que 700 mil crianças passam fome no Brasil enquanto vários políticos eleitos para organizar o caos são condenados por corrupção e desvio de verbas públicas. Agora vejo os limites daqueles que outrora admirava (Decepção!), os de fala macia, inconscientemente indiferentes. A teoria do domínio do fato é mais perigosa do que a impunidade, gênios?
Segundo Bacon “os homens temem a morte como as crianças temem o escuro, e ambos esses medos são aumentos pelas histórias que lhes contam”. Todavia, às vezes, o escuro esconde o perigo, um buraco, um prego, um escorpião. Naquele dia eu fui me despedir do seu Tião e honrar a amizade que tenho por seus netos. Crepúsculo vermelho. A sala de estar estava iluminada por velas fúnebres, aquela cruz de ferro com o Cristo talhado que sempre me perturbou e aquele perfume das ultimas flores. Fitei-o fixamente e em pensamento lhe disse: “Seu Tião, não é que deu PT!? Descansa, profeta.”. Foguetes. Carreata. Histeria popular. Lá fora a vida é uma festa cheia de avestruzes e de surpresas salinas. Se sorrio é porque sei que isso passa, isso passa, as eleições, a infância, a vida, a dor... Tudo passa, meu amor. Morre que passa! Mas no dia seguinte, pela manhã ouvi o coro lúgubre cantando: “Céus e terras passarão, mas tua palavra não passará...”. Será?
Um beijo do observador para todas as crianças do mundo.




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É mesmo!! O voto deveria ao menos ser pela internet. Boa ideia!
ResponderExcluirÉ sempre um prazer contribuir para a evolução intelectual do Brasil com ideias visionárias, rss... Um beijo, prof.
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