Este vídeo apareceu na minha pesquisa sobre o dia das crianças e é impressionante e imperdível. Resume tudo. Parabéns aos seus autores. Obrigado pela "regressão".
1º parte – minha infância
A criança que eu fui
"De todos os presentes da natureza para a raça humana, o que é mais doce para o homem do que as crianças?" Enerst Hemingway
Fecho os olhos e evoco as lembranças de minha infância.
Segundo minha amável mãe, minha primeira palavra foi justamente “Mãe”. Os anos
faziam crescer e engordar.

Meu recorte crescendo na rua
abaulada correndo de cachorro. A arte de subir na parede. O parque. O processo
de fotossíntese das plantas. O maldito Meridiano de Greenwich. Meu avô paterno
me ensinando a arte de abrir um abacate sem ferir o caroço interior. Duas
colheres de açúcar dentro para o deleite divino. O campo de futebol de terra, o
Olimpo. Um dia de chuva deitei no campo e senti a Terra úmida muito antes do
Drummond fazê-lo num poema dedicado a João Cabral de Melo Neto na década de 40,
pois eu nunca tinha lido esse poema nem sabia que a poesia era o suprassumo da arte
humana. Mas o campo, a guerra, os amigos, os inimigos, os gols, a glória e o
catarro.
Andreza, talvez Deus sorrindo.
Tinha 6 anos e a achava tão linda naquele tempo quanto hoje acho a baía de Sydney à noite com a ópera e a ponte
de Sydney, embora vistos virtualmente. Ela exalava hálito de hortelã pela
manhã. 5 anos depois, a inesquecível Michele, a primeira menina que sentou no meu colo e perguntou se estava gostoso. Não havia maldade sexual em mim naquele tempo, apenas o puro instinto masculino e eu respondi: "Tá, uai!". Michele cresceu quebrando corações por onde passava. O que é feito de ti, querida?
Exemplo de como não ser um pai:
É impressão minha ou esse cara é
a cara do comedor de fetos do Rafinha Bastos, um dos idiotas famosos favoritos de um
país cheio de idiotas anônimos!?
Meu domínio da arte de mijar na
rua. A semiótica telepática do olhar do pai para a mãe. A coreografia das pipas
caleidoscópicas. O fliperama. O medo de Satanás. As orações sinceras para Deus
antes de Nietzsche matá-lo. Os piolhos. O terrível velório do avô. O fim da inocência.
As primas de São Paulo. Minha eterna bike azul de 18 marchas. A maneira como eu
arriscava a vida voando desgovernadamente com ela entre os carros na avenida no
horário de pico. O dia que atropelei uma mulher grávida. Sem comentários. Minha
mãe gritando: “Thiagooooooooooo, cadê você estrupício!!!???”
Você quer que o seu filho seja
como você? Então, incentive-o a ler o mais cedo possível.
Saga de Gêmeos, meu cavaleiro do
Zodíaco favorito. Esquizofrênico, sofria terrivelmente por sua alma está
dividida entre o bem e o mal e era o Mestre do Santuário. Suas técnicas e golpes
eram: Explosão galáctica, Outra dimensão, Satã imperial, Aniquilação sensorial,
Ilusões de Gêmeos. Quem poderia me culpar?

O Pica-pau, o Pernalonga, o
Chaves. O Tom e Jerry. O X-man. A turma da Mônica. Os Trapalhões. E acima de
tudo, Os Cavaleiros do Zodíaco. A briga diária com os irmãos. Eu dizia que o
caçula era adotado e ele batia a cabeça na parede de tanta raiva. A cachoeira. As
cabanas improvisadas no quintal. A escalada perigosa do pé de goiaba. Meu
xadrez de madeira. O bar da Maria. A deliciosa “perereca da Xuxa”. A birosca.
Minha turma: o Alan, o Robson, o Dedeu... O Kito que fazia as professoras
chorarem. A professora Guta de olhos verdes que puxava o meu saco. O dia das crianças na
escola. A hora do recreio no pátio. A birra. O egocentrismo é um traço marcante
das crianças e dos adultos.
“Tudo pode ser, se quiser será
O sonho sempre vem pra quem
sonhar
Tudo pode ser, só basta acreditar
Tudo que tiver de ser, será.”
Xuxa, Lua de Cristal
"Sou um baixinho da Xuxa." Diego Maradona

Os dentes de leite caindo um por
um. A criminosa vacina. O choro histérico. Nojentos legumes e verduras. As
brincadeiras na rua. Os elementos indescobertos. A cerâmica amarela da minha
antiga casa. O frontispício de Cristo na parede, tão triste. A Eveline que era
a menina mais inteligente da escola, de quem o Álvaro gostava e com quem eu competia. A Tamara. A Maruana. A
Naira. O dia que meu pai disse que fazia tudo por mim e como eu estava pedindo
há muito tempo uma surra por ser insubordinado com minha mãe ele iria atender o
meu pedido. Os gritos. O ódio. As festas juninas. A fogueira de São João. A
cruz. A catequese. Eu cantava no coral da igreja, acredita? Nem eu. É uma
grande mancha de óleo na minha biografia cheia de altos e baixos. Tardes tão
quentes. Chup-chup de uva e sonhos chuvosos.

As festas de aniversários que as
tias organizavam para a gente. Os presentes eram cuequinhas e bolas de futebol que
rasgavam na primeira pelada. O povo era lascado e minha família não era muito
original em nosso meio social. Entretanto alguns amigos meus viajavam para a
praia do Espirito Santo nas férias escolares. Eu não gostava muito de praia e
por isso viajava para a Rússia e para a série Vagalumes. Não havia internet, a
TV era pouca e eu sabia que não teria nada para fazer no tempo livre, por isso abastecia
a minha mochila com livros de literatura infanto-juvenil que eu pegava na biblioteca Olavo
Bilac no último dia de aula.
Minha infância foi antes deu
anoitecer dolorosamente, de me atacarem por me preferir e do meu ódio ao mal. Eu
na rede balouçando na varanda. O azul. Abro os olhos e sorrio.
2º PARTE - TEMPO DE MATAR
“Agora imaginem que esta menina é branca.”

Princípio VI da Declaração
Universal dos Direitos das Crianças correspondente ao direito ao amor e a
compreensão por parte dos pais e da sociedade e que encontra-se escrito assim
em um trecho seu: “A sociedade e as autoridades públicas terão a obrigação de
cuidar especialmente do menor abandonado ou daqueles que careçam de meios
adequados de subsistência.” Pergunta: qual é a diferença entre o seu filho e uma
criança de rua? Resposta: a sorte. Mais nada. Criança é criança. Lembram-se da
sustentação oral final genial do advogado Jake no filme Tempo de Matar em que
defende um homem negro acusado de executar os violadores brancos de sua filha
de 10 anos, quando o racismo nos EUA era uma lei tácita? O advogado pede ao
júri branco que feche os olhos e imagine a cena do estupro. Após descrevê-la
com brilhantismo dramático finaliza dizendo “Agora imaginem que esta menina é
branca.” Lágrimas de todos porque no nosso cu dói, não? E logrou a improvável
absolvição de seu cliente.

Hesitei em incluir essa gif pelo conteúdo
chocante da imagem. Contudo ela serve de alerta para os pais tomarem cuidado com seus
filhos, pois crianças não têm consciência dos perigos que correm diariamente
e a rua é mortal.

A filósofa Márcia Tiburi, a indomada, disse no
Café Filosófico que quando um politico desvia dinheiro ele está assassinando
crianças e idosos. É lixo humano. O Carlos Lacerda me disse uma vez, “Thiago,
a impunidade gera a audácia dos maus”. Ele tinha toda razão. Mas como instilar
a tolerância zero a corrupção no cidadão acrítico? Eu tenho um mantra que dôo a
humanidade: “Tudo que eu não posso fazer você também não pode.” Se eu, Thiago
Castilho, não posso roubar um centavo de ninguém, você Ladrão Assassino também
não pode. Eu sou a favor da pena de morte para políticos corruptos. Quando
queimássemos o primeiro o número desses vermes vis cairia pela metade. Após a
primeira centena do atroz churrasco a porcentagem se reduziria a 10%. Então, só
teríamos que vigiar e punir um número possível desses animais repulsivos e
perigosos.
"Uma gama de ação vale mais do que uma tonelada de teoria" Engels
"Somos vulgares, incultos e analfabetos; e, em relação a isso, confesso que não faço maiores distinções entre o analfabetismo de meus concidadãos que não aprenderam a ler e o que aprendeu a ler somente aquilo que se destinam às crianças e aos intelectos medíocres."- Henry Thoreau

O irônico nessa história é que o
Dia das Crianças em nosso problemático país foi proposto por um politico, o
deputado federal Galdino do Valle Filho na década de 1920. 12 de outubro, data
aprovada pelos deputados da época e oficializada pelo presidente Artur
Bernardes, por meio do decreto nº 4867, de 5 de novembro de 1924. Contudo a
data incorporou-se a nossa tradição devido a uma jogada de publicidade da
Fábrica de Brinquedos Estrela conjunta com a Johnson & Johnson para promover
suas vendas. Não perderei tempo comentando intenções e desdobramentos. Mas é
cientificamente comprovado que brinquedos e brincadeiras são tão importantes quanto afeto e educação
para o desenvolvimento psicológico, social e motor das crianças. É imperativo
que nada lhes falte, inclusive correções moderadas. Afinal, elas precisam. Perder
a infância sem tê-la é uma desgraça.
“Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou fera ferida
No corpo, na alma e no coração.”
Fera Ferida, Maria Bethânia
O que seria de nós sem a UNICEF, por exemplo, que promove diversas campanhas de recolhimento de fundos monetários para poder socorrer milhões de crianças de países subdesenvolvidos e vítimas da desnutrição, trabalho infantil, ausência de lar e AIDS?
Quando crianças são vitimas de
comércio sexual, pedofilia, violência domestica e social, indiferença politica
e familiar, mortalidade e trabalho infantil, preconceitos, abusos, fome...
Enfim, todo mal consagrado a uma criança é um ataque terrorista dirigido a todo
Direito, a toda democracia e ao próprio Deus - símbolo do amor que nunca
tivemos uns pelos outros? E ataques terroristas são absolutamente inaceitáveis.
Eles devem ser neutralizados e quando acontecem punidos draconianamente.
Por: Thiago
Castilho
Durante a Assembleia Geral das
Nações Unidas, no dia 20 de Novembro de 1959, representantes de centenas de
países aprovaram a Declaração dos Direitos da Criança. Ela foi adaptada da
Declaração Universal dos Direitos Humanos, porém, voltada para as crianças.
1. Todas as crianças são iguais e têm os mesmo direitos, não
importa sua cor, raça, sexo, religião, origem social ou nacionalidade.
2. Todas as crianças devem ser protegidas pela família, pela
sociedade e pelo Estado, para que possam se desenvolver fisicamente e
intelectualmente.
3. Todas as crianças têm direito a um nome e a uma nacionalidade.
4. Todas as crianças têm direito a alimentação e ao atendimento
médico, antes e depois do seu nascimento. Esse direito também se aplica à sua
mãe.
5. As crianças portadoras de dificuldades especiais, físicas ou
mentais, têm o direito a educação e cuidados especiais.
6. Todas as crianças têm direito ao amor e à compreensão dos pais e
da sociedade.
7. Todas as crianças têm direito à educação gratuita e ao lazer
8. Todas as crianças têm direito de ser socorridas em primeiro
lugar em caso de acidentes ou catástrofes.
9. Todas as crianças devem ser protegidas contra o abandono e a
exploração no trabalho.
10. Todas as crianças têm o direito de crescer em ambiente de
solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.
P.S.: Por mais prazeroso e doloroso que seja produzir um post assim, subestimei o seu tempo de composição, uma noite não foi suficiente para fazer pesquisa, escrever os textos e editá-los. Aproveitei o recesso da semana da criança para me divertir recriando essa fase inconfessavelmente feliz da minha vida. Se você chegou até aqui espero que tenha se divertido também. Então, feliz dia das crianças atrasado para todas as crianças do mundo. Um beijo especial do observador.
With A Little Help From My
Friends (Com uma pequena ajuda de meus amigos), canção do Beatles
"Crescer é algo muito rápido. Um dia você usa fraldas e no outro você vai embora. Mas as memórias da infância permanecem com você. Lembro-me de um lugar, uma cidade, uma casa como várias outras casas, um quintal como vários outros quintais, em uma rua como várias outras ruas. E o fato é que, após todos estes anos, eu ainda olho para trás e penso: Foram anos incríveis."Kevin Arnold
Cara gostei de muita coisa que vc disse, mas o final com o Kevin Arnold foi SHOW, pra mim um dos melhores seriados de todos os tempos.
ResponderExcluirJOPZ
Valeu, Jopz. O melhor truque sempre vem por último.
ResponderExcluirAtualmente somos extremamente sofisticados, mas perdemos a pureza. Existe um ditado italiano que diz assim "Ou o tonel cheio ou a mulher bêbada. É preciso escolher." No nosso caso não temos escolha nem se quiséssemos poderíamos fazer algo do quilate de Anos incríveis. No máximo anos críveis.
Um abraço do observador.
Reminiscências... AMO esses teus posts inspirados, Thi! Kisses, my dear!
ResponderExcluirObrigado, meu anjo.
ResponderExcluirBjaoooooooooooo
Oi. Passando pra desejar um ótimo fim de semana. Adoro aqui.
ResponderExcluirBeijos no core,
PS: Finalmente consegui editar meu Blog e deixar comentários nas minhas visitas aqui.
Tive que retirar a lista de Blog para sair aquela mensagem de bloqueio.
da infância sempre guardamos o doce, o descompromisso, os sonhos, o aprendizado. talvez o encantamento do novo seja tão valorizado por nós.
ResponderExcluirsobre o filme eu acho que ele deveria ter finalizado com esta frase! muito forte e verdadeira!
Na verdade nao me lembro de nada depois dessa frase, ela é como o pensamento do Nelson Mandela: Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.
ResponderExcluirUm beijo do observador.