DECALQUE DOS DONS
POR BORGES
A Jorge Luis Borges
“Ninguém rebaixe a lágrima ou rejeite
Esta declaração da maestria
De Deus, que com magnífica ironia
Deu-me a um só tempo os livros e a noite.”
Jorge Luiz Borges, Poema dos dons
“_Deve perdoar meus amigos. Eles não tiveram os privilégios que você teve.
_E que privilégios seriam estes?
_Ter que lutar pelo o que você quer.”.
Do revoltante filme Sylvia, diálogo entre a mãe de Sylvia Plath e o poeta Ted Hughes, aquele que disse “Se você não tem aquela confissão secreta, talvez não tenha um poema.”. – Mas por que será que um “dardo de luz solar” como Sylvia se apaixonou por um buraco-negro sinistro como Ted?
“Eu escrevo pela mesma razão que respiro – se não o fizesse, morreria.” Isaac Asimov
I
Ar
Graças quero dar ao divino labirinto dos efeitos e das causas
Pelo singular e plural bardo argentino que esculpiu o primeiro poema dos dons, leu todo o livro da vida e da literatura e mergulhou na morte como Homero,
Por essa cama de hospital, a luz, solo e sangue que sinto confluindo em mim, e por minha mãe dormindo docemente no quarto contíguo e meu quarto escuro (“O chiqueiro” segundo ela) que eu amo porque onde toco piano e reverberam o Pai, o Filho e o Espírito Santo, as três forças da alma segundo Agostinho,
Por Elizabeth Taylor, Anais Nin e Lolita e pelas faces e formas femininas que sempre me fascinaram, deleitaram e tiranizaram,
Pela maça no escuro de Clarisse Lispector e a rajada da rocha de fogo no interior da flor d’água,
Pelo deus Hermes que transmitiu a linguagem aos homens e os pulsos de som dos genes da Torre de Babel , os espíritos de Yeats, a lembrança involuntária de Proust e o fluxo ininterrupto de consciência de Virginia Woolf,
Por Julian Patrick e seu arquipélago de estrelas eternas, enciclopédicas e espetaculares, e pelo Paraíso Perdido de Milton e nosso reencontro no purgatório, sem olhos, mas salvos da decapitação por nossa luz interior,
Pelo gênio autodidata de Shakespeare (“Aquilo que sou far-me-á sobreviver.”) e a “Perfeição que destrói.” de Kafka, que sentia a Terra como uma “Estalagem noturna”, e seu caçador Gracchus, a quem eu sempre me senti, nem vivo nem morto, navegando entre mares lúgubres sem direito a jogar ancora em algum porto protetor,
Pela Academia Brasileira de Letras e o Prêmio Nobel de Literatura,
Pela pureza, solidão e melancolia de morte da adolescência e a esperança, a doçura e a exuberância da juventude que não perdoa nem se arrepende e se evola invisivelmente entre aniversários sequer celebrados porque já não fazem festas surpresas para “O que não se mistura”, a ovelha negra da família,
Pela “teoria do pior” de Schopenhauer que preconiza que devemos pensar sempre o pior e imaginar nossas vidas caso perdêssemos tudo o que temos atualmente, e assim decidir se preferimos preservá-la, mudá-la ou desfazê-la, e pela coragem de amputar o membro podre que nos mataria, ou reciclar nossas vidas, atitudes e afetos, o que é sempre um parto,
Pelo sentimento de falta, de angústia e de insatisfação que forjaram os grandes gênios da civilização,
Pelo Jardim das Aflições de Olavo de Carvalho e Os Grandes Cemitérios Sob a Lua de Georges Bernanos,
Pela noite em Sidney, New York, Alasca, Buenos Aires e Vancouver, e a aurora boreal no Vale do Sol, que ao nascer incinera os outros astros como uma epifania matinal de Eros,
Pelo sabor do vinho escalando a alma e a brilhante e etérea pérola da noite num café sujo tatuado de músicos, beijos e “lindas mentirinhas”,
Por Beckett (“Estou cansado demais para ser gentil”) que se julgava em seu íntimo um homem tão bom e se questionava porque ninguém nunca percebeu isso, e por J.M. Coetzee, o “escritor da solidão” que denunciou devastadoramente a desonra nas irrespiráveis Áfricas,
Por Joyce que se exilou no deserto voluntariamente para escrever porque considerava o resto em redor uma massa só,
Por André Breton, seu humor negro e surrealismo,
Pela troca de olhares entre dois abismos,
Pelo “Cobrador” de Rubem Fonseca e o nosso Marques de Sade que nos mostrou “A vida como ela é”, (“Uma obsessão é uma obsessão e merece respeito”), e pelo lobo órfão caçador de antílopes que amava as touradas, Cuba e os choque-elétricos, embora ele negasse,
Pelo “Confesso que vivi” de Neruda, “A musa e o minotauro” de Picasso e o “Faça você mesmo” dos Punks,
Pelos conceitos e princípios filosóficos noéticos (imanência, dialética, transcendência, catarse, devir, demiurgo, monismo...) e as espécies ameaçadas de extinção,
Pela Física Quântica, a teoria das cordas, a teoria do multiverso e a Partícula de Deus que encontrei por acaso antes de qualquer cientista contumaz dançando como uma bailarina russa no olhar errante de um bebezinho sapeca que mamava no seio de sua mãe apaixonada,
Pelo magnífico poeta Leopardi, o leopardo, e seu “Espetáculo da nulidade”, que corresponde a tudo e a todos, desesperadamente, exceto talvez o bálsamo da ilusão do infinito, e sua noia ubíqua como o ar,
Por Al Patino cego, cínico e louco em Perfume de Mulher, “Na dúvida, sexo.”.
A HERANÇA DA HISTÓRIA
A prof. Isabel Aguiar
“Você faz toda a diferença.” Ensaio sobre a cegueira
II
Terra
Graças quero dar ao divino labirinto dos efeitos e das causas
Pelas pinturas rupestres no complexo de cavernas do Santuário de Lascaux,
Pela original Epopeia de Gilgamesh e o Livro do Mortos,
Por Sócrates que preferiu beber a morte a si trair e por Heródoto, pai da História, que narrou às guerras grego-pérsicas,
Por Sidarta Guatama, “o desperto” e sua doutrina da impermanecia, sofrimento e não-eu,
Por Platão, embora tenha confundido tudo seccionando impossivelmente o mundo entre o real e o ideal, (talvez ele fosse o primeiro petista),
por Erastóstenes, observador assombroso que calculou a circunferência da terra há 2200 anos somente com seus olhos e seu cérebro, e o sonho solitário do insigne Kepler que revolucionou radicalmente toda a ciência,
Pelo psiquiatra quixotesco artista do sagrado amor imortal que tinha pés submarinos, mãos mágicas e asas invisíveis que fatiaram a História em antes e depois de sua paixão sem precedentes,
Pelos arcos pontiagudos da arquitetura gótica medieval e por Cavendish que isolou o hidrogênio e identificou a composição da água,
por Zumbi e o Quilombo dos Palmares que lutaram até a morte por seu sonho de liberdade e pelo escravo fugido de Morrison que preferiu matar os filhos a vê-los voltar para a fazenda,
pelo Discurso do Método de Descartes, e pela Revolução Francesa que guilhotinou reis, e seus ideais imortais de igualdade, liberdade e fraternidade,
Pelo Taj Mahal, sepulcro suntuoso do amor-paixão, pedra preciosa da perda e da dor dilacerante do luto, arquitetado para o réquiem da incomparável amada do príncipe mongol que morreu após dar a luz a um de seus filhos,
Pela obsessão de Tomas Edson e seu mantra do “Tente até conseguir” que nos renderam a extraordinária energia elétrica que os antigos não acenderam,
pelos irmãos Lumiére que inventaram a sétima arte fundindo todas as outras e formando uma representação completa e feérica da vida imagética, intensa e efêmera,
por um gênio brasileiro, Santos Dumont, o Homem que voou pela primeira vez, e seu 14-Bis, anterior a irmandade norte-americana,
Por Sartre e Simone de Beauvoir que gozaram o amor-livre e compuseram juntos e separados a filosofia da liberdade e a filosofia do feminino,
Pelo Ensaio Mental de Leonardo da Vinci, a Seleção Natural de Darwin, a Relatividade de Einstein, a Psicanálise de Freud (“Caráter é destino.”) e o pálido ponto azul de Carl Sagan, seu oceano cósmico, sua enciclopédia galáctica e a espinha dorsal da noite,
Por Churchill e pelos 156 mil soldados que desembarcaram ou saltaram de paraquedas na Normandia (o coração das trevas) para destruir as inumanas intenções imperialistas de Hitler, o Diabo com bigode de trocador da Univale,
por Hiroshima e Nagasaki que renasceram das cinzas radioativas depois do beijo da morte das ogivas nucleares,
pelas constituições do pós-guerra que representam a consciência do mundo e a garantia dos direitos individuais e sociais dos cidadãos em todos os países livres do Planeta Terra,
pelos civis, estudantes, jornalistas, políticos, juristas, intelectuais, escritores e artistas que combateram o Leviatã Militar e foram sequestrados, torturados e “desaparecidos” (“Se dez batalhões viessem à minha rua/ E 20 mil soldados batessem à minha porta/ Á sua procura/ Eu não diria nada / Porque lhe dei minha palavra” Legião Urbana),
pelos astronautas da Estação Espacial Internacional, sentinelas do espaço sideral incomensurável, indecifrável e inefável como um poeta recém-nascido de sua própria Morte que atirasse meteoros incandescentes pelos olhos e fizesse nevar onde neve não há, neve negra e ácida, nostalgia do nada,
pela Paideia, o Carpe Diem, o genoma humano, a Primavera Árabe, as Olimpíadas, o cibridismo, a futura Era Psicozóica e sua suposta Inteligência Universal,
por todas as vidas e culturas que se intersignificaram das cavernas ao computador e nossa geração google gasosa sem amanhã porque tudo é sempre agora em nossa Aldeia Global de índios interconectados,
Pela história da história que é história e nossa glória?
NASCIDO EM 13 DE JUNHO
Aos meus amigos e a todos que me queiram bem porque eu sou um espelho
“Esse aqui é louco de jogar pedra em avião.” Prof. Pedro Secundo sobre mim, o segundo prof. mais louco com quem eu já tive a honra de estudar, o primeiro e inigualável era um tal de Éden
III
Água
Graças quero dar ao divino labirinto dos efeitos e das causas
Por Herman Hesse (“Não sou aquele que sabe, mas aquele que busca.”) e sua inspiradora busca por si mesmo, a Torre de Montaigne, a Terra Desolada de T.S. Eliot (“Aqui água não há, mas rocha apenas Rocha. Água nenhuma.”) e a mente silenciosa de Jiddu Krishnamurti que eliminou o tempo psicológico,
Pela minha primeira professora do jardim de infância, “Rita”, “O fogo apaga e nós não pita.”, embora tenha chamado minha mãe para me denunciar porque eu aos 6 anos de idade não queria fazer os exercícios escolares alegando serem “Fáceis demais e repetitivos para mim”, e pelas piscinas de areia recortadas pelos campos de futebol onde nos matávamos, e pela Andreza, minha primeira namoradinha,
Pelo primeiro romance que li “Lucíola” de José de Alencar, e por Crime e Castigo de Dostoievski, nunca me esqueci que Raskólnikov contou na mais extrema solidão e desespero mais de 700 passos, sobre o frio glacial de São Petersburgo, da sua casa até a casa de sua vítima agiota, a quem massacrou a másculas machadadas no crânio, e depois se arrependeu de sua ignominia e se entregou para a polícia, um santo,
Por um filme que me fez chorar durante minha grande depressão suicida “Magnólia” e outro que me fez sonhar com a possibilidade do amor genuíno “Antes do Amanhecer”, (Sonhos assim são perigosos quando se nasce para Hamlet e não para Romeu.),
Pela Bíblia, livro dileto do Drummond (agora o meu) e por Drummond (“A paz existe naquela lata de conserva jogada do outro lado da rua e naquele casal que se beija do outro lado da cidade.”) e a Legião Urbana (“Diga adeus e atravesse a rua, voamos alto depois das duas, mas as bebidas acabaram, e os cigarros também, cuidado com a coisa coisando por ai...”), meus precursores primordiais, meu perfeito pai poético e meu rebelde irmão mais velho,
Pelo Código de Hamurabi e a Faculdade de Direito do Pitágoras, e pelo Café Filosófico do CPFL Cultura e do Facebook, e por tudo que fizeram por mim, como dizia o poderoso chefão elevando o dedo a cabeça e depois golpeando o ar: “Eu não esquecerei.”, e por Belo Horizonte que me espera de pernas abertas... (O velho sonho do garoto do interior de ir para a Capital embora eu tenha envelhecido),
Por meus olhos míopes de voyeur e o exibicionismo das ninfas, o Esconderijo do Observador e o Cisne Negro (embora seja meu demônio sinistro, sexual e sanguinário), e os clássicos sagrados, indispensáveis e transformadores que ainda não li e os livros que talvez escreverei no futuro, e por minha maritaca Princesa aninhada no meu pulso, malgrado suas crises animais, e que adora ter os olhos por mim acariciados, e que odeia todos, exceto eu, é claro, porque o Thiago é o Thiago, ela sabe antes de qualquer um,
Pelo meu Sá-Carneiro que era o poeta do Vale do Aço Enias Oliveira e a varanda da sua casa que dava para a rua Cireneu Teixeira, onde estamos agora, confortavelmente alojados em algum lugar do passado, conversando sobre literatura, política, cinema, futebol e fêmeas, (Lembra-se, poeta, quando escrevemos juntos aquele conto em que silenciávamos metade do bairro, o impagável "Poetas Assassinos"? Aqueles malditos fodedores binários fofoqueiros, inautênticos e inférteis que nunca leram um livro na vida tiveram o que bem mereciam com "requintes de crueldade”. Nada mudou aqui desde sua partida, exceto eu, se não me auto-iludo como sempre."),
Por duas peças de teatro que redigi no ensino médio “O julgamento do Brasil” em que absurdamente o condenei a morte “por maus tratos severos ao povo brasileiro”, e “A história do lixo”, ambas aplaudidas de pé por todos no anfiteatro do Giovanini, e na primeira, ao fim, galvanizado pela histeria da plateia, pisquei para Luciana que interpretou a juíza e rimos cumplicemente, saboreando a taça da vingança, (a Lu era bissexual e tinha um estilo excêntrico, ácido, transgressor e irresistível, nunca a esqueci e sinto saudade de nossos duelos intelectuais e artísticos porque ela também escrevia, lembro-me de um conto seu sobre uma psicopata que só matava "homens sujos", notável,)
Por uma carta que há 15 anos chegou para mim do Paraná e que dizia assim: “Thiago, pego suas fotos de quando era pequenino, às vezes até choro de tanta saudade...” e por quem a escreveu, a doce Rute, que ajudou minha mãe a cuidar de mim quando recém-nascido e sentenciado de morte pelo médico-monstro, “Infelizmente seu filho não sobreviverá.” Ele disse e ela disse “Deus é maior.”, e aqui estou, elevando-me em busca da santidade,
Pelo homem (que possui a marca de nascença que eu tenho e o avo tinha) que afinal andou aflito pelo cais entre os barcos pensando no que fazer com a mãe caso eu morresse de fato, e chorou, ele disse rachando e eu acreditei porque ele não mente, e pediu a Deus que me poupasse, não por ele, mas por ela e por mim, e como não bastasse ter nascido de si pensa que eu lhe devo a salvação porque ele só chorou duas vezes na vida e uma delas foi por mim e Deus disse: Sim, talvez devesse ter dito Não,
Por quando navegávamos de carro pelas ruas semimortas do Vale nas madrugadas de sábado em busca de aventuras, bebidas e mulher, eu e meus amigos, e estacionávamos num café sujo que tinha uma daquelas máquinas de música Jukebox, (O JP gostava de ouvir uma melodramática chamada Joni Mitchell “Um dia você vai amá-la também, quando estiver na fossa!”) bem, hoje eu a amo, não mais pela fossa, da qual me curei pela luz libertadora, mas tão somente pela lembrança da fossa, o que não deixa de ser poeticamente sedutor e instigante,
Por um monstro de olhos verdes que eu amei como somente um deus poderia amar (mas talvez um deus só possa amar a si mesmo ou nem isso) e a quem confessei (como um Fausto febril) que se eu pudesse encontrar uma “síntese brilhante”, um resumo de tudo do principio ao fim que funcionasse como ponto de partida para a decolagem... e ela disse que era eu, e pela filha que perdi sem ter (porque aquela vadia disse que sofreu um aborto espontâneo tomando pílulas para abortar) e talvez tivesse feito de mim um outro homem, menos amargo, ansioso e angustiado,
Pela mulher que me tornou homem, assim como a maioria dos meus amigos, a inflamável, sobrenatural e demoniacamente deliciosa “Angélica-pão-com-ovo”, a “Colecionadora de cabaços”, ou simplesmente “A-de-amor”, um beijo de baunilha, minha amanteigada Afrodite genuflexa que nos dessedentava e quase tudo nos ensinou com maestria incriticável, (Dizem que se casou com um baiano e fez uma cirurgia de reconstituição do hímen para o maridão, afinal, o amor é tudo, e eu lhe desejo felicidades.),
Pelo sorriso que você nunca me sorriu exceto aqui, é claro, e pelos que me esnobaram no passado e agora serão, indubitavelmente, esnobados, pois não passarei a vida ao pé deles, (pelo contrário...) e pelos que amam meu canto negro... meu canto negro sempre estará convosco, filhos do pecado, e vós sempre poderão voar com suas potentes asas para os poros abertos de Júpiter através da canção do caos do cosmo do coração em erupção,
Pelo Felipe, tragicamente trucidado por um acidente de trabalho e a saudade dos amigos, e por meu avô que fazia chover mangas e no dia do seu velório apareceu para mim e disse para que eu não chorasse porque a morte era natural como a bosta, e como fosse um brejeiro me informou que a Andreza estava na sala esperando para me consolar como um dom divino, e eu fui e minha Beatriz me abraçou e nós choramos,
Por quando fecho os olhos e sou o Vale, então, cai a tempestade (Intui por quê?), e se pestanejo, entrecruzam-se relâmpagos e toca o trovão seu hino de rojão, e sou a noite interior da sua alma que te dói até o âmago, que te dói há muito tempo e que continuará te doendo, enquanto não abrires os olhos, e mesmo depois disso, enquanto não fechares os olhos para sempre, meu amor,
Pelo tempo que passei no deserto combatendo contra o demônio kafkiano da loucura (Transtorno obsessivo compulsivo na literatura médica), após o mal macabro e colossal que me fizeram, voltarei para me vingar daquele escândalo? Será que cumprirei aquilo que a cigana disse a minha mãe antes deu nascer? Deve ter sido fácil para alguns me atacarem junto comigo quando eu não era meu, quando eu era meu inimigo e eu sei bem o que eu fiz comigo, gostaria intensamente de ver o fenômeno se repetir, como dizia nosso mito Anderson Silva “Vai ser engraçado.” Porque medra em mim a ambiguidade que magoa do gênio de gêmeos, o bem e o mal ao mesmo tempo, porque tudo tem dois lados, por dentro e por fora, tudo muda sempre, tudo é menos ou mais do que parece ser, tudo é falso, e eu me divirto observando isso, não é divertido?
Pelo outro eu que nasce da guerra contra o velho eu que nada levava a sério com a diferença que agora há algo para se valorizar e não é o mundo, mas a Autoeducação permanente que responde talvez aquela velha pergunta crucial “O que eu faço da minha vida?” (Tudo é nada se um homem não possui a si mesmo. Não basta ter um coração, é preciso forjar uma alma. E só há um caminho: ler e escrever... até morrer),
Pelo sabor do frio da noite que eu amo com café quente e por todos que um dia fizeram algo por mim, Nietzsche, Harold Bloom, minha família (embora difícil como toda família real, sempre reunimos o clã dos Castilhos no Natal), o Alan, o Fernando, o JP, meus professores de todos os tempos, os bloggers, o Pink Floyd, Led Zepllin, Nirvana, Beatles, Van Gogh, Wood Allen, Cazuza, Fernando Meireles, Mitchell (“Eu não tenho nada a dizer a ninguém.”), não sei por que sempre que te ouço, Joni, eu vejo uma bela mulher passar com um coração ofegante na mão gotejando sangue, o que não deixa de ser feminino,
Por algumas citações indeléveis epigrafadas na minha memória eidética embora hermética “Quanto maiores forem suas dificuldades mais triunfal será sua vitória.” Richard Dawkins, “Eu não sigo pessoas, sigo ideias.” Martha Gabriel,, “O conhecimento só se entrega para quem se entrega para ele.” Olavo de Carvalho, “Tornei-me tudo para todos.” Paulo, “A moderação em tudo é boa”. Eclesiastes, “Espere o inesperado.” "Sem mim como sem ti posso durar" "Um tiro na cara sempre altera a sua aparência." Cisne negro, "Bem; deixa-me acender ali o meu cigarro?" Machado de Assis, “Só rindo.” Rubem Fonseca,
Por minha vida pobre de experiências exóticas e bens materiais, mas rica de observações e reflexões agora que me apaixonei pelo Conhecimento, o outro lado do abismo corresponde a entropia, o descalabro, o vazio e o tédio da ignorância, e quem disse que viver é consumir? Viver é inventar. Inventar talvez seja o sentido da vida. Lute pelo o que você quer, torne-se o que admira, invente-se,
Pelo menino que anda atrás de mim equidistante com o velho que anda a minha frente, não sei qual desses dois fantasmas sombrios é mais perturbador e deprimente, mas eu sei muito bem onde termina essa estrada escarpada e o motivo de tanta pressa estressante... em breve o velho se destacará do menino, o que pode a criança contra o destino? O que podemos nós, filho, senão amar e cantar até o encontro marcado com a Desconhecida encapuzada?
Por Fernando Pessoa (“Já não vivi em vão/ Já escrevi bem /uma canção”) que me transmitiu o vírus incurável da poesia e me fez sonhar com sua mensagem do desassossego sob o magnífico milagre misterioso, ah, um universo só seu feito de palavras, ideias, sensações e complexo simbólico oriundo de sua arte espetacular, metaforizando o mundo e fazendo a reflexão da existência, contundo trovador português me confidenciou a meia-noite da alma arrepiada a beira do abismo terminal “Thiago, eu não sou feliz.”. E aquilo acabava comigo.
O TÚMULO DA FÊNIX
Ao Brasil e ao Mundo
“Fazes sempre citações execráveis; és capaz de corromper um santo. Tu me tens prejudicado muitíssimo, Hal; Deus te perdoe. Antes de conhecer-te, Hal, ignorava tudo; e agora, para dizer toda a verdade, valho pouco mais que um pecador.” Shakespeare, Henrique IV
“Em que forma os deuses hão de retornar, não posso prevê, mas com toda a sua crueldade e intensidade erótica, decerto, eles virão, a fim de que a literatura canônica possa continuar a ser produzida.” Harold Bloom, o maior crítico literário americano quiçá do mundo
“O que poderia ele dizer que seria capaz de queimar os rostos de todos?” Fahrenheit 451
IV
Fogo
Graças quero dar ao divino labirinto das causas e dos efeitos
Pelos dons diabólicos ou antidons, se preferir, que Borges talvez nunca enumerasse, a guerra, a corrupção e a mediocridade que nós fazem sentir o valor da bondade, da equanimidade e da excelência que nunca cultivamos nem cultivaremos?
Pelos sete pecados capitais: a gula, a avareza, a luxúria (meu favorito), a ira, a inveja, a preguiça, o orgulho, e por um oitavo, a estupidez, e pelo trem que partiu da estação ferroviária em meados dos anos 80 e segue seu curso intrépido pelas estações da vida embora tenha quebrado em 2002, e pelo galpão fechado, a colmeia de abelhas agressivas e o homem com um lança-chamas recém-concentrado,
Por quando drapejávamos na cama, o telefone toca, (é o marido dela, um homem bom, manso e simpático, trabalhador da Usiminas, ele avisa que duplicará a jornada de trabalho e só regressará ao lar a tarde) instantes antes estou diante dela que fala ao telefone, pressinto que desligará e faço um sinal para que prorrogue o diálogo enquanto esfrego meu falo furioso em seu rosto, ela sorri sardonicamente e começa a me masturbar suavemente sentada na cama, enquanto afago seu pequeno seio esquerdo, não resisto por muito tempo a tensão daquele momento especial e anuncio, por educação, o creme do êxtase, ela diz, eu juro que ela disse isso ao corno “Amor, espere um instantinho só, por favor.” e a mim “Esporra na minha boquinha, cafajeste”, cumpri a ordem como um soldado indefectível, nada questionei e ainda inchado, latejante, zarolho e chocado com a cena prometi para mim mesmo naquele instante nunca me casar, e sussurrando lhe disse: “Você é perversa demais, docinho. Nunca vi nada igual.” E pensar que em algumas culturas radicais ela poderia terminar apedrejada até a morte e eu castrado (arqueando as sobrancelhas) Deus nos livre, (Isso são coisas que sempre acontecem no Vale, e o que acontece no Vale fica no Vale, mas agora o Vale é o mundo.)
Pela Belíndia ou Brasil, se preferir, país em que inexiste taxa sobre grandes fortunas, em que a classe trabalhadora doa lépida 4 meses de seu suor sagrado para suprir as necessidades do Estado e que ocupa segundo o último estudo realizado pela ONU a 80º posição entre 138 territórios e nações analisados em matéria de desigualdade social, em que a renda dos mais ricos (média de R$ 16.560,92 mensais) é maior que a de 40% dos brasileiros mais pobres (R$ 393,43), (O povo é sempre explorado por seu país. Talvez se eu tivesse nove dedos pudesse virar esse jogo e morrer um milionário e não o mendigo que nasci, mas é preciso aceitar a “superioridade natural” de certas pessoas a quem nem o câncer pode destruir), e por trás dos dardos dos dados minha cólera implacável, meu coração ardendo como um alto-forno, minha vontade de queimar Sodoma e Gomorra, maldita, maldita, maldita, miseravelmente maldita,
Pelo 47º lugar no Índice de Democracia segundo The Economist que avalia os países em cinco critérios: processo eleitoral e pluralismo, funcionamento do governo, participação política, cultura política e liberdades civis, e pelo nossa 69º posição no índice de Percepções de Corrupção entre 180, 180! Países, mas eu precisaria ser uma mulher apaixonada para acreditar em tudo que me dizem e tenho certeza que esses números estão errados, nossa realidade é infinitamente mais desprezível,
Pelas classes sociais A, B, C, D, E e F (fodidos), e pelo maior problema do Brasil: os brasileiros, porque nós somos culpados, nós somos corruptos, nós somos covardes, e pela metástase da violência, o tráfico de drogas, a bala perdida, a degradação moral e ambiental, a indiferença dos ricos, os exercícios sanguinários, o preconceito consciente e inconsciente, nossa falta de infraestrutura básica (educação, saúde e emprego), a mídia de merda e o pensamento crítico, a consciência cívica, a economia ética, a utilidade social e a administração competente que nos salvariam, se existissem, (Não é fácil, ele disse, sentir-se um forasteiro em seu próprio país. Fitei-o com ar blasé, naquele tempo eu não podia entender tanta presunção. Talvez o poeta americano tenha razão, “Nascer, copular e morrer na ilha dos crocodilos” é o que nos resta quando nos limitamos aos fatos, mas ele não se limitava aos fatos, ele tinha imaginação, coitado.),
Por Macunaíma que não lê nem escreve e da cultura e da arte escarnece, embora eu de brasileiro somente possua a cara de pedreiro, pois minha alma é cosmopolita, científica e literária, e após tanto labor infame para torná-la assim, eu, Camões, ou melhor, Tostói, talvez o último Tostói não posso compreender porque vós não fazeis o mesmo por vossas vidas secas e enrodilhadas no enxofre da ignorância, seja como for, irmãos brasileiros com cara de engenheiros, ó meu povo amado, comei o capim por mim, porque eu não posso mais, eu sou como Odisseu que se cansaria até da própria perfeição, e vós, Jecas Tatus, amam o capim que eu sei e sois os artistas sul-americanos e dominais o dom da dieta de capim com futebol, capim com carnaval, capim com novela global, capim com Shopping-center, capim com androginia, santos e deboche, bon appetit!,
Pelas crianças de rua que choram de fome (além do trabalho e prostituição infantil) enquanto vocês são felizes (Você não eram felizes antes de mim?), mas eu não, porque penso permanentemente, e se eu pudesse salvá-las, oferecer-lhe abrigo, educação e carinho ao invés de esterilmente uivar como um lobo ferido na noite dos tempos, (16 milhões de brasileiros, 8,6% do total vivem em condição de miséria extrema com ganho mensal de menos de 70 reais, e metade deles tem até 19 anos.),
Pela Lei Maria da Penha e as mulheres-gaias que matam os maridos que as espancavam e estupravam cotidianamente e são absolvidas pelo Tribunal do Júri (Não é nobre?), e pelas que são vítimas do tráfico de mulheres com o objetivo de prostituição forçada no país e no exterior, porque isso “são coisas que acontecem na guerra”, não é, meu povo?
Pela austríaca Natascha Kampusch, sequestrada aos 8 anos de idade por um pedófilo, e que após 8 anos presa num porão claustrofóbico conseguiu escapar, e por todas as crianças de família que sofrem abusos sexuais constantes com o imperdoável consentimento de seus parentes porque esse mundo (onde o dinheiro é Deus) é maligno até a medula, e queriam que eu fosse legal, obediente e polido, como dizia meu velho tio Millôr Fernandes “Chega! Vai tomar no olho do seu cú!”,

Por aquela noiva americana que se casou com o soldado que retornou sem rosto da guerra do Iraque, sinceramente, somente a loucura feminina poderia imolar-se assim, “Se voltares um monstro da guerra, querida, não percais tempo em procurar outra pica.”,
Por aquele jovem soldado alemão que ao flagrar seus companheiros nazistas rachando rindo as cabeças de bebês judeus na parede, chorou e assassinou a todos, eu te amo por isso, meu feroz irmão germânico, que passou a guerra colecionando vidas a traição dos vermes genocidas de olhos azuis, eu não permitirei que te esqueçam, eu ainda escreverei sobre seus feitos formidáveis,
Pelas fraquezas da natureza normativa do homem e da mulher que eu amo observar, e pelo proibido que é sempre mais prazeroso, e pela traição, o arrependimento e o perdão, esses três portentos do coração, o primeiro uma flor da fauna, o segundo fruto do fracasso e o terceiro consequência da impotência, e pelo humor sem o qual tudo isso seria um tumor maligno,
Pelo pai de família que se jogou na frente do atirador fantasiado de Coringa num cinema dos EUA durante a seção do filme Batman, o cavaleiro das trevas ressurge, e levou um tiro na cabeça para salvar sua esposa grávida, (De homem para homem, você faria o mesmo ou sou só eu?)
Pela poeta maldita Sylvia Plath que se suicidou aos 30 anos (Fecha os olhos e sente o desespero dos pulmões convulsionando) aspirando gás na cozinha de sua residência enquanto seus filhos dormiam, para uns uma cabra autodestrutiva e egoísta (“É preciso se sacrificar pelos filhos e suportar tudo estoicamente.”), para outros uma criança perdida de coração magoado e leviano a quem o amor antropofágico (lento suicídio) destroçou, porém a poeta se vingou de terceiros inocentes, porque em verdade, só existe uma forma de destruir uma pessoa: primeiro, é preciso fazer-se amado por ela, depois traí-la (com punhaladas homeopáticas ou uma letal) e por fim abandoná-la sem explicação, fazê-la sentir o que Jesus sentiu tachado na cruz perguntando-se “Por que?...”
Por quando eu disse a Juno (Naquele tempo eu pensava que fosse o Beckett brasileiro): Eu deveria arrancar seu clitóris com uma mordida de tubarão. “–O que disse?” Ela interpelou, incrédula, em tom de desafio, e respondi: Disse que deveria reconsiderar sua decisão. “_Impossível. Está tomada. É definitiva e irreversível como a morte. Não se mate, querido, Jesus também foi abandonado no martírio.” O que disse? Interroguei, trêmulo, a ponto de cometer um crime. “_Disse que é tarde, você precisa ir. Adeus.” Para o diabo. Você não tem coração, é uma imoral. (Sempre foi, quando éramos colegiais ela me escreveu um poema, o primeiro verso dizia assim “Serei seu eterno sofisma.” Ela errou pelo adjetivo, subestimou meu poder pessoal, mas consumiu cincos da minha vida e me deixou em pedaços, (Ela disse que me amaria por todos os séculos. Nunca acredite na palavra de uma mulher.) pesava sobre meu destino (ou vontade de Deus, se preferir) a maldição da mulher errada, jurei nunca mais amar ninguém e eu sou um homem de palavra, você acredita em mim, não é, paixão?
Por um pesadelo recorrente que tenho, estou numa alameda deserta, de madrugada, sob um frio invernal, irreal para os padrões mineiros, inerme e de repente sou surpreendido por um leão gigante, sinto minha alma gelar e começo a correr na expectativa de salvar minha vida, em cada sonho adoto uma rota ou estratégia diferente, mas sempre termino acossado e devorado pelo leão ao fim, por isso prefiro um sonho recorrente que tenho, sou uma Estrela do Rock, diante dos meus escravos que gritam o meu nome enquanto aguardam a minha música e eu pergunto “Quem vocês amam?” E a turba: “Cisne Negro, Cisne Negro, Cisne Negro”, Eu também amo vocês, e começo a cantar “Noite após noite, batida após batida, meu coração é um naufrago faminto de amor/ Se você a esqueceu, então por que ela sempre surge em seus sonhos?/ Estou cansado de mim, este é o tempo do degelo...” É impressionante como as pessoas são carentes quando não se autopossuem, sob a chuva inesperada e uma música melancólica ao fundo,
Pelo 11 de Setembro (Tudo pode acabar do nada) e o desarmamento nuclear mundial que, com efeito, nunca aconteceu, e nunca se sabe quando um imperador belicoso e um semideus ressentido se chocarão e consumirão o resto em redor como dois lutadores de UFC que brigassem na ala de um berçário, e nós não desejamos um mundo pós-apocalíptico de “paus e pedras” para nossos filhos e netos tão amados que tem o direito de verem e viverem tudo que vimos e vivemos em paz, segurança, conforto e utilitarismo, consumindo tudo e competindo contra todos, conectados na nuvem interestelar e cheio de psicofármacos, fugindo de si mesmos no zoológico de zumbis, enquanto tudo se dissolve soberbamente dentro de mim,
Por mim e por ti, o sacrifício do fogo e a solidão, sempre a solidão, (com ela adormecida no meu peito, o som de seu coração espedaçando o silencio, eu a sentia, no churrasco natalino, entre parentes afetuosos, eu a sentia, na igreja, de mãos dadas aos irmãos orando o pai nosso, eu a sentia, você entende agora porque minha solidão é infinita? Talvez a solidão seja minha maneira de sentir Deus, nunca me esqueci de uma frase dele, era para uma mulher, mas pode perfeitamente definir minha relação comigo mesmo, com Deus e com a vida, “Eu te odeio porque eu te amo.” Somente minha mente emergiu desse mergulho, o corpo jaz no fundo do cosmo.) e por uma confissão secreta, Ted, eu sempre busquei Algo Além, eu sei que é preciso fazer, eu só não sei como convencê-lo, eu disse a ele: Tire a máscara, T, sacie a curiosidade dos lobos, o que poderia acontecer? No máximo rirão de você, o que não ultrapassa a importância deles na sentença, por fim, você é um palhaço mesmo, (Liberte-se dos outros, as pessoas sempre pensarão o pior de você, merecendo ou não, dê o exemplo, mereça.),
Borges, Hecce Homo!
Pela minha magnífica coleção de máscaras sociais, uma para cada pessoa, situação e objetivo nesse teatro do absurdo em que interpretamos e interagimos, sempre a nós mesmos estranhos, assim como eu, Cisne Negro, posso ver a performance dos atores e personagens camaleônicos, leio e desleio um por um, por dentro e por fora, sério, insuspeito, cândido (“Nem Deus escapa aos olhos do falcão do Vale.”), e só me espantam e seduzem as personas que julgo serem quase sinceras, se é que não me enganam, o que seria fabuloso,
Por quando eu disse a ele pela primeira vez: “Saudações, Thiago Castilho. Sabe quem sou eu?”, ao teu lado sempre estive, mas é como se o magoasse, tudo que faço é girar a metralhadora de volta contra um mundo que não se importa. “Olhai à vossa volta.” Como exorta o crítico, o que você vê? Há alguém, um só, que se compare a mim para de mim quereres se desfazer? Talvez eu devesse assumir o comando, afinal, não é justo que numa prisão o mais forte lidere? Por que ser você se poderia ser eu? E ele disse “Nunca”. E eu disse a ele: Então, mate comigo, Thiago. Voe comigo como dragões. Podemos brincar de Deus e o Diabo. Somos seres shakespearianos sublimes. Quem pode conosco? Podemos tudo. É uma loucura. Podemos aperfeiçoar nosso poder de invenção na pedra da erudição enciclopédica deles. Eu sou aquele que criará o que ainda não foi criado, aquele que arrancará o coração de Zeus diante dos outros deuses no Olimpo e gritará como Aquiles: “Tem mais alguém ai?”, então farei com que o céu se transfigure em vermelho-chamas, depois se liquefaça e finalmente derrame sobre a Terra lava celeste purificadora, e o coro de humanos gritando: Meu Deus, não, por favor, perdão! E Ele disse: “Você finalmente enlouqueceu com seu ego e arrogância cegos. Somos grandiosos, a humanidade deve ser valorizada. Mas em verdade, nada somos. Por isso devemos ser humildes. Morreremos. O resto são ilusões de quem não suporta a realidade assim como eu, mas para nossa consolo existe a arte ou a religião. Você não é diferente do que despreza. Não passa de um Doppelgänger superafetado.” Ele pensa que eu sou um mero Doppelgänger, o seu eu negro, mas isso seria óbvio, algo que até você poderia pensar, temo que eu seja algo além disso, sabe quem sou eu? Naquela noite duelamos pelo trono e até agora continuamos numa guerra de mil anos,
Pelo dom dos dons, o devaneio do poderoso pensamento da mente magnífica expresso em palavras numa linguagem poética, perfumada e inventiva, e pela autoconsciência embora incipiente, a unidade de concepção e a visão total (Está úmida, querida?), e pelo “Aperfeiçoamento Universal da Humanidade.” de Jonathan Swift contra as “Operações Mecânicas do Espírito.”, e pelo cheiro da noite, o chocolate, a vida verbalizada, as violetas que arrancam cabeças e escalpelam o espírito, as montanhas mineiras, as Cataratas do Iguaçu, a mente aberta, o universo aberto, o ponto rosicler, o rio amazonas, as azeitonas, o boquete inesperado na cozinha quando todos estão na sala numa sessão de cinema em casa esperando a pizza de atum com Coca-Cola, já estamos indo, queridos amigos, e todos os meus momentos e todos que não terei,
Pelos olhos de Capitu que arrastaram Bentinho para o inferno e por Machado de Assis (O “supradeus”) que no seu leito de morte assombrou-nos, contradisse toda a sua doutrina e confessou: “A vida é boa.”, mas eu precisaria ser uma mulher apaixonada para acreditar em tudo que me dizem,
Pela doce brisa do sul que virá e trará a morte a todos no Apocalipse e a saída do divino labirinto dos efeitos e das causas a quem agradecemos por si a si e a insana e redentora rosa profunda, sua singularidade suprema e o Juízo Final, , e por uma derradeira delicadeza, não se esqueçam, amados: cremado.
Por: Thiago Castilho (I, II e III) e Cisne Negro (IV)
Joni Mitchell na voz da Legião
Que empolgação pra escrever hein... Esse esconderijo tem coisas...
ResponderExcluirabraço
Thiago,
ResponderExcluirvocê escreve impecavelmente!! Em seus escritos tem sangue, calor...vida...
Você é intenso e intensamente interessante!!
Fiquei lisonjeada por dedicar um trecho a mim. Isso é inédito em minha vida!
Marcante! Essa é a palavra para definir tão irretocável poema.
Que privilégio conhecer um homem tão singular!
Beijos !!!!
Minha do Cara, escrever é tudo, meu amigo...Aquele abraço
ResponderExcluirProfº Isabel, eu é que agradeço seu comentário supergentil e o privilégio é meu em te conhecer.
Um beijo do Observador.